A guarda da esposa e a obediência ao marido: a reciprocidade dos deveres conjugais masculinos e femininos nos tratados do rei D. Duarte e de Christine de Pisan (séc. XV)

Mariana Bonat Trevisan

Resumo


A partir da Idade Média Central os meios canônicos passaram a ter maior preocupação em institucionalizar e regularizar as relações conjugais. Laicos também passaram a refletir sobre estas questões, fornecendo modelos de comportamento mormente para a nobreza, estrato que deveria ser exemplar para os outros setores sociais. No século XV uma nova dinastia tentava se afirmar no trono português: Avis, fundada por um bastardo régio. Para superar a ilegitimidade e a quebra do princípio hereditário, a nova casa real buscou se legitimar através de meios como afirmação de suas virtudes morais e intelectuais. Neste contexto, o herdeiro do Mestre de Avis, D. Duarte, escreveu o tratado Leal Conselheiro, buscando oferecer exemplos de conduta aos homens da corte e afirmar uma memória exemplar de sua família. Coevamente, seu irmão D. Pedro teria mandado traduzir para o português o tratado de Christine de Pisan, Le Livre de Trois Vertus (dedicado à formação das mulheres) que se tornou O Espelho de Cristina e foi oferecido à sua filha, a infanta e futura rainha Isabel. Nestes dois tratados observamos como são construídos modelos de conjugalidade, estabelecendo uma reciprocidade entre características e comportamentos femininos e masculinos na relação, pois é preciso atentar que a representação social dos papéis dos gêneros no casamento possuía mais importância do que o sexo real dos indivíduos. Assim, nosso propósito é perceber como a prescrição dos papéis de homens e mulheres no casamento, além de modelo cultural, colabora para a construção da propaganda e da imagem moral da dinastia de Avis no século XV.    

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Revista Diálogos Mediterrânicos
Periodicidade Semestral
Curitiba - Paraná - Brasil
ISSN 2237-6585